“Todos nós somos convidados à santidade. Uns já fizeram sua caminhada e já estão nos altares de nossas igrejas.(...) Dentro desta proposta de caminhada para a santidade, temos irmãos e irmãs, que já fizeram sua caminhada e por terem vivido sua vida de fé, são sim, verdadeiros santos, aguardando apenas o reconhecimento da igreja (...) para exemplificar esta fala: Irmã Benigna.”


Palavras do Padre Domingos Sávio de Matos
Vigário da Paróquia de São Sebastião - BH


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Dom Walmor Oliveira de Azevedo - Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte - celebrou a solenidade eucarística do Centenário de Irmã Benigna 

Notícia desta Santa Missa: 

Encerrando as festividades da semana do Centenário de Irmã Benigna, Dom Walmor Oliveira de Azevedo presidiu missa solene em ação de graças pelos Cem anos da religiosa que, após a sua morte, deixou uma legião de devotos que atribuem a ela inúmeras graças alcançadas. A celebração aconteceu no sábado, dia 18 de agosto, às 11 h, na Igreja de Santa Tereza, Bairro Santa Tereza, capital. A cerimônia foi abrilhantada com a presença de dez sacerdotes que concelebraram com o arcebispo da Arquidiocese de Belo Horizonte.

Muita fé e confiança levaram cerca de duas mil pessoas de várias partes do Estado à celebração pelos Cem anos de nascimento de Irmã Benigna. Devotos da religiosa não mediram esforços para agradecer a Deus pelo dom da vida de Irmã Benigna. Muitos chegaram cedo à Paroquia de Santa Tereza para rezar e fazer seus pedidos.
Além das caravanas já esperadas das cidades de Lavras, Sabará, Bonsucesso, Lambari, Itaúna e Diamantina, vieram para a Celebração, pessoas de outras cidades mineiras, tais como Passos, Santa Rita do Sapucaí, São Domingos da Prata, Divinópolis, Açucena, Itaguara, Carmópolis de Minas, João Monlevade.

Religiosas da Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade estiveram presentes na celebração, juntamente com a Superiora, Madre Neuza Cota, demonstrando orgulho em ter Irmã Benigna como referência de vida, de santidade e de bondade. Todo o evento foi preparado pela Congregação e pela Associação dos Amigos da Irmã Benigna - AMAIBEN. A celebração também contou com a participação de crianças, jovens, dos parentes da religiosa e de pessoas que tiveram a oportunidade de conhecê-la e conviver com ela em vida.

Durante a cerimônia, Dom Walmor enfatizou importância de compreendermos o dom da santidade na vida da Igreja, ressaltando que olhar para a vida da Irmã Benigna é encontrar alguém que buscou intensamente a graça de Deus, através da oração, do sacramento, da Eucaristia: “Irmã Benigna foi alguém que buscou na simplicidade a graça de Deus e assim se tornou servidora de todos os irmão e irmãs”.
Muitos depoimentos de graças alcançadas por devotos, através da intercessão de Irmã Benigna foram relatados à imprensa. Após o início da cerimônia, um  profundo e respeitoso silencio se fez em honra Jesus Eucarístico. Envolvidos pela graça de Deus, todos rezavam por suas necessidades e para que seja breve o reconhecimento de todas as virtudes de Irmã Benigna, para que ela, a exemplo de outros santos, receba brevemente a honra dos altares. 
Esclarecimentos: No momento, estão sendo recolhidos depoimentos, dados e testemunhos que comprovem as virtudes e vicissitudes de Irmã Benigna.  Após a reunião destes elementos, estes serão entregues para a análise a nível diocesano à Arquidiocese de Belo Horizonte. Caberá ao arcebispo verificar se todos os passos atendem às necessidades da Congregação das Causas dos Santos e, estando de acordo, abrir-se-á o processo de beatificação da religiosa.   

HOMILIA DE DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, ARCEBISPO DE BELO HORIZONTE, NA MISSA DO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE IRMÃ BENIGNA

Amados irmãos e irmãs!Saúde e paz, a alegria de estarmos juntos nesta caminhada de fé, celebrando os cem anos do nascimento de Irmã Benigna. A oportunidade para que todos nós, pensando no dom de sua vida, pensemos no dom da vida de cada pessoa. Cem anos passados, celebramos o dom de sua vida, uma comprovação do quanto este dom é precioso! E cada um de nós, e o compromisso que cada um tem, como Irmã Benigna fez, de fazer do dom da vida que recebe, um dom para os outros. Este é um registro que precisa ser muito forte em nosso coração. Um registro que se ilumina quando nós conhecemos, admiramos e veneramos pessoas que, como Irmã Benigna, fizeram de verdade, de sua vida, um dom para os outros, de tal maneira que o devotamento a ela prestado, nos põe como primeiro compromisso, fazer de nossa vida, a seu exemplo, um dom para os outros.
Quero saudar Irmã Neusa, a superiora das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade, os padres, religiosos que nos acolheram aqui nesta igreja, os sacerdotes, todos aqui presentes que vieram para esta celebração, todos os membros da Associação dos Amigos, admiradores e devotos da Irmã Benigna, a Congregação das religiosas, a alegria de estarmos aqui, velhos, jovens, as crianças, numa oportunidade muito bonita de muito compreendermos os dons da santidade na vida da Igreja. Um dom a ser buscado por todos nós. Um dom a ser buscado como o testemunho da vida e da força da Irmã Benigna, porque nós não fomos feitos para qualquer coisa. As coisas que nós buscamos em exemplos e mentes fazem parte de nossa vida, mas nós não fomos feitos simplesmente para estas coisas, até porque estas coisas todas passam. Imaginemos, por exemplo, alguém que conquista um título importante, se conquista o quê? Esse título, depois, pouco a pouco não vai valer muita coisa, porque tudo passa. As coisas que nós podemos ajuntar na vida; tudo também acaba. Se nós já pudermos um pouquinho mais pensar, quanta coisa já mudou! Quanta coisa que era do jeito que era, e hoje não é mais, porque o tempo passa; tudo muda. Digo isso para que, no coração de nós todos, fique forte: então, pra que nós fomos feitos, se tudo passa? Mesmo as coisas que parecem mais importantes também passam. Nós fomos feitos e recebemos o dom da vida para a santidade. Por isso, é que o Apóstolo Paulo nos recorda, na Carta aos Coríntios, no Capítulo 15, versículo 26, dizendo assim: “o último inimigo a ser vencido é a Morte”.
Nós, hoje, estamos celebrando os Cem anos do nascimento da Irmã Benigna, mas a Irmã Benigna morreu, como todos nós morreremos. Quando a gente pensa na morte, a gente morre de medo. Mas, hoje, o Senhor está nos lembrando: “o último inimigo a ser vencido é a Morte” (Cor. 15,26). Portanto, ninguém de nós fica na morte. Morreremos sim, mas não ficaremos na morte, porque o inimigo, que é a morte, será vencido. Está vencida a morte pela Ressurreição do Cristo. Colocamo-nos neste lugar definitivamente para o qual, nós fomos feitos: a Santidade, que é o lugar da Presença de Deus, da Comunhão com Ele. E nós sabemos, pela nossa fé cristã católica, que, ao chegarmos em Deus, olhando-nos com seu olhar de amor, o mundo e a vida, porque estamos na Presença Plena de Deus que enche os corações. Uma Presença do Deus de Amor que faz superar nossas fugas e nossas dificuldades, porque nós fomos feitos para a Santidade. Vencer a Morte pela Ressurreição de Cristo se faz exatamente porque nós não somos uma semente qualquer. Nós somos uma semente de vida para a Santidade. E como é bom compreender isso sempre, logo, e se empenhar para viver num para que fomos criados assim. É assim que ilustres pessoas como a Irmã Benigna, enquanto nós a veneramos e lembramos seus feitos, seu jeito, sua vida, é para que, em primeiro lugar, faça crescer em nossos corações esta consciência: não foi a só Irmã Benigna; tem aqueles que sofrem de espinhos nos altares pela Igreja e, pelos ataques, merecem a santidade: todos nós. De tal maneira que esta consciência nos torne assim corajosos, generosos, porque, certos de que venceremos a morte, que é o fim do nosso tempo na história, mas venceremos e podemos vencer o que é, o apóstolo foi categórico, o preço da morte, que é o pecado. Então a nossa vida de cada dia tem que se tornar um bem firme para vencer o que provoca a morte pelo pecado e, com Cristo, vencer a própria Morte.
Hoje e amanhã, no Brasil inteiro, nós comemoramos a festa da Assunção de Nossa Senhora ao Céu de novo, que é o grande testemunho e comprovação da Graça e da Ação Amorosa de Deus, fazendo a Vitória sobre o pecado, sobre a morte. Na medida em que nós vivemos a vida assim, tendo consciência de nossa fragilidade, mesmo sabendo, como o Livro do Apocalipse nos recorda, que nós estamos num tempo e num mundo marcado do mal. Quando fala de, simbolicamente, um dragão, está falando da ação do mal do mundo. O mal está presente. É como ter presente, e nós que estamos caminhando, vamos caminhando entre o bem e o mal, e nós devemos escolher, é claro, o bem sempre, porque nós fomos feitos para a Santidade. E mesmo sabendo de nossa fraqueza, mesmo conscientes de que nós estamos num mundo da precariedade que vem do mal e pelo pecado, o nosso empenho deve ser em busca da Santificação, da Santidade. E esta busca, amados irmãos e amadas irmãs, nós teremos que fazer mesmo, amparados pela Graça de Deus. É a Graça de Deus que realiza em nós a Santidade. Não é o honrar da nossa inteligência nem simplesmente da nossa competência profissional. Quem dera se competência profissional já garantisse a Santidade de Vida. Nós não teríamos um mundo composto de tantos profissionais dessas áreas agindo de maneira tão lamentável. Quem dera se fosse a especialização profissional que garantisse Santidade de Vida. Nós estamos num mundo onde nunca houve tanta especialização e tanta possibilidade de aprender bem as coisas. Antigamente, os médicos eram só Clínicos Gerais. Agora eles têm especialidades pra tudo. Tem até quem é especialista em orelha direita e orelha esquerda. Não basta. Isso ajuda, mas não basta porque em qualquer grade é a Graça de Deus que realiza em nós a força e os sinais de nossa santificação. Por isso, temos que buscar a Santificação.
Então, olhar a Vida da Irmã Benigna é encontrar alguém que viveu a vida buscando a Graça de Deus na oração, nos Sacramentos, na Eucaristia. E aí, a Graça de Deus vai entrando em nós, porque esta busca nossa somos nós abrindo o coração para a ação desta Graça. Portanto, a busca da Santidade é pela Graça. E aí, olhando Nossa Senhora, no Evangelho de S. Lucas, quando sai de sua casa e, apressadamente, vai para a casa de Isabel, ali permanecendo três meses, compreendemos e, concretamente, pela ação da Graça de Deus, nos santificamos pelo serviço aos irmãos, sobretudo aos mais pobres e sofredores. Não é exatamente isso que todos vêem na Irmã Benigna? É exatamente alguém que buscou, na simplicidade, a Graça de Deus e se tornou, com todo esforço, servidora dos irmãos e irmãs. É assim que se conquista a Santidade para a qual nós fomos feitos. E nós, a Igreja, muito precisamos de todos como discípulos missionários de Jesus Cristo, numa vida de Santidade. Da Igreja, nós reconhecemos que veneramos pessoas que, como Irmã Benigna, buscaram viver sua vida na Força da Graça de Deus e na alegria do serviço aos irmãos e irmãs. Estes estão em Deus quando passam pela morte e, com Cristo Ressuscitado, vencem a Morte, e, por estarem em Deus, é claro, nos acompanham e intercedem por nós.
Celebramos hoje, portanto, os Cem anos de nascimento da Irmã Benigna. Reacende em nossos corações a alegria de ter este testemunho de alguém que, pra nós, é um exemplo, pois fez de sua vida um verdadeiro Dom cultivado na Força da Graça de Deus e transformado em serviço aos outros. Por isso, respondeu o seu SIM a Deus e fez de sua vida uma verdadeira vida de santidade. Que o seu exemplo nos inspire, e que sua presença incontestável diante de Deus seja uma intercessão por todos nós. E que o nosso caminho seja feito como busca de Santidade. Amém!

*A.T.: Neste texto tentamos reproduzir as belíssimas palavras proferidas por Dom Walmor durante a cerimônia do centenário da Irmã Benigna. Pedimos nossas desculpas por qualquer falha que possa ter acontecido durante a transcrição.

 

Segue o texto na íntegra escrito por Dom Walmor Oliveira Azevedo para a primeira edição do "Irmã Benigna Notícias":

A voz do Pastor
 
IRMÃ BENIGNA
“E a esperança não decepciona porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5)!

Amados e amadas de Deus, saúde e paz!
 
A leitura da biografia de Irmã Benigna e o testemunho de tantos que a conheceram comprovam que nela brilhava uma luz especial, a luz da esperança. Uma esperança que não decepciona e a sustentou em todos os seus passos, enchendo o seu caminho de uma luminosidade que proclamamos como santidade de vida. Sua vida se construiu no amor de Deus, derramado em seu coração pelo Espírito Santo, e na consciência lúcida de sua importância, levando-a à generosidade de gestos, a confiança inabalável em Deus e a fecundidade de sua consagração na vida religiosa. Nossa Igreja se alegra, sobremaneira, quando nela para o mundo, com força de testemunho e de convicção, brilha como sinal de inabalável esperança a vida de seus filhos e filhas. Esta alegria está no coração de nossa Igreja pela força amorosa e convincente do testemunho de Irmã Benigna. A trajetória de sua vida é um testemunho que convoca à confiança incondicional em Deus e à compreensão de que a vida só vale a pena ser vivida na medida em que se torna dom para os outros, particularmente para os mais pobres e sofredores. A existência da Irmã Benigna, pois, na força de seu testemunho e de tudo o que ela ungiu com suas palavras, presença e generosidade, é o exemplo incontestável de quem, chegado o termo da trajetória terrena, ouviu a voz do seu Senhor chamando para o seu convívio na vida que não passa. A certeza deste convite e a certeza de que a Irmã Benigna está na presença de Deus se comprovam nas palavras que o Senhor da vida explica a quem ele convida para seu convívio eterno: “Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que fizestes” (Mt 25,40).  A vida de Irmã Benigna se compõe de páginas que retratam o Evangelho, a força do amor de Deus traduzido no serviço aos irmãos e irmãs e no cuidado dos mais pobres.
Conhecer a vida de Irmã Benigna e deixar-se interpelar pelo seu testemunho é encontrar o caminho da santidade e dos horizontes da verdadeira vida. Esta força vem, pois, da santidade de vida e da alegria do serviço fundada na esperança que não decepciona. Os que assim caminham nesta vida continuam sua missão do coração de Deus, onde se encontram e nos acompanham, intercedendo por nós todos. Irmã Benigna nos inspire o compromisso da vida como serviço e interceda a Deus por todos nós.

 
+ Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte

 

PALAVRAS DE OUTROS BISPOS E PADRES:

“Além das intenções desta missa(...) vamos colocar todos os benfeitores, todos aqueles que participam desta casa e desta obra. Pedimos também, de maneira especial, a beatificação de Irmã Benigna que lançou a primeira pedra(...) esta pedra de amor (...)merece lembrar e ser lembrada sempre.”....
(...)  “O aniversário desta casa traz uma multidão de acontecimentos que deveriam ser lembrados. Estão sendo lembrados, lentamente, pelos comentários que eu tenho ouvido, inclusive da própria Irmã Benigna que lançou a pedra fundamental, começou este trabalho, de uma casa para acolher os irmãos que, às vezes, não têm um lar”.( ...)
“O Servo de Deus quando quer vivenciar a sua vocação, ele põe o pé no caminho e não deve olhar para trás. Então, nós somos andarilhos de Deus... buscando novas paradas, novos ambientes, novos lugares, para ali lançar sementes. Sementes do bem, da verdade, da justiça, do amor, da paz. É assim que o  Evangelho de Jesus Cristo vai chegando, em cada lugar, no mundo inteiro, em cada mente, em cada coração. Que a gente aprenda esta lição com a Irmã Benigna, para a gente ser também  BENIGNO com os outros, semeando semente do bem, semente do amor, semente da paz.”

 

Dom Waldemar Chaves de Araújo - Bispo da Arquidiocese de São João Del Rey - MG
(... trechos de algumas das belas palavras proferidas durante celebração da santa Missa no Lar Augusto Silva em Lavras no dia 03/05/06).
    

 

TESTEMUNHO DO PADRE
Geraldo Drummond Guimarães

Fonte: LIVRO AS MAIS BELAS HISTÓRIA DE IRMÃ BENIGNA(I998)

O registro histórico sobre a Irmã Benigna é ajuda, principalmente, à querida Congregação que todos amamos não só por ela ser mineira, mas sobretudo por ser inteiramente de Nossa Senhora, a Mãe de Deus e nossa. Todas as congregações religiosas trazem esses registros utilíssimos à santificação pessoal mormente essa, a Congregação também do Rosário, porque nasceu ela com o Rosário nas mãos, mãos do fundador Monsenhor Domingos Pinheiro, que não o deixava nem para dormir, como disse o cardeal Motta, capelão por 10 anos da Serra da Piedade.
Esse registro merece total confiança de todos, porque Maria do Carmo de Souza Figueiredo Mariano é modelo de cristã, conhecidíssima de todos nós.
Esperamos que a Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade também se beneficie e se alegre abrindo um novo horizonte interno e externo, para o sonho de santificação pessoal e novos horizontes apostólicos à exemplo da Irmã Benigna.
Todos nós agradecemos a Irmã Benigna e a Maria do Carmo de Souza Figueiredo Mariano.

Padre da Arquidiocese de Belo Horizonte (Falecido)









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